XIX DOMINGO DO TEMPO COMUM LUCAS 12,35-40 - Juan Diego Giraldo Aristizábal, PSS
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XIX DOMINGO DO TEMPO COMUM
LUCAS 12,35-40
Quero me deter nesta expressão do Evangelho: “Ficai preparados! Porque o Filho do Homem vai chegar na hora em que menos o esperardes” (v.40)
No Credo, ou profissão da nossa fé, dizemos que Jesus Cristo “virá ao fim dos tempos” (Parusia do Senhor, conhecida como a Segunda vinda de Cristo). Com isto estamos dizendo que no final da história (como disse o então Card. J. Ratzinguer) ficará em evidência a realidade que sustenta o mundo e a história, quer dizer, o Amor. E este Amor tem rosto próprio: Jesus Cristo. Assim, perante o Amor que ficará em evidência, acontecerá o juízo da história. Isto é: se a nossa vida foi construída a partir do amor ou como rejeição do amor.
Então, perante esta realidade, a pergunta que devemos fazer como cristãos é: Como viver o momento presente? O Evangelho de hoje nos ajuda a meditar. Vejamos...
Façamos três perguntas:
1. Com que atitude viver a nossa vida? A Vigilância: “Ficai preparados!”
O Evangelho utiliza duas expressões que expressam a atitude de disponibilidade, prontidão e a capacidade de resposta perante o inesperado “que os vossos rins estejam cingidos e as lâmpadas acesas” (v.35). O cristão não dorme, quer dizer, está sempre atento para compreender os sinais de Deus na sua vida e para agir, segundo o querer de Deus, a todo momento. Poderíamos dizer que o cristão é o homem e a mulher de “olhos abertos e coração disponível”. O cristão não se deixa distrair ou levar por coisas superficiais.
2. Quando assumir esta atitude de vigilância? Sempre: “Na hora em que menos o esperardes”.
Pensar na vida eterna, não nos aparta do momento presente. Só contrário, ajuda-nos a viver o momento presente com uma atitude diferente. A gente vive segundo aquilo que espera. Quem entende que a última palavra é a morte, o mal, a injustiça, etc, vive sem esperança. Quem entende que o Amor é o definitivo, então assume uma atitude diferente na história e na vida quotidiana. Nem que soubéssemos o “dia ou a hora”; cada momento da minha vida, aliás, “agora”, “já” é o último momento, porque não se repete. Como disse um monge ao seu discípulo que lhe perguntou: “Mestre, qual é o momento mais importante, a ação mais importante, a pessoa mais importante?”. O mestre respondeu: “o momento mais importante é este, agora, aqui; a ação mais importante é a que tu fazes no agora, no já; e a pessoa mais importante é a que tens perante de ti agora, já”. Então, não esperemos estarmos idosos ou moribundos para estar de “olhos abertos e coração disponível”. É agora, já, sempre.
3. Porque estar vigilantes sempre? “Porque o Filho do Homem vai chegar”.
Muitos, irresponsavelmente, querem fazer-nos voltar a Deus através do medo e do terror. Muitos esperam um carrasco e, então, a espera se transforma em angustia e dor. Muitos se aproximam de Deus com angustia, pois não lhe conhecem. No Evangelho os empregados esperam acordados ao Senhor chegar, quer dizer, com atenção porque sabem que o seu Senhor é bom. Não dormem, porque esperam com alegria. E o que faz o Senhor? “Ele mesmo vai cingir-se, fazê-los sentar à mesa e, passando, os servirá”. Que bela imagem! O Senhor servindo, amando, fazendo festa. A disponibilidade e atenção dos servos se transformam em convívio gozoso e partilha festiva. Por que viver a nossa vida cristã tristes e angustiados? O Senhor que esperamos é o Senhor do amor, aliás, é o Amor mesmo.
Fiquemos, pois sempre de “olhos abertos e coração disponível” à espera do Senhor que chega para oferecer-nos o maior serviço: sermos amados eternamente. Vivamos segundo aquilo que esperamos: como sinais do amor no mundo.
Juan Diego Giraldo Aristizábal, PSS