IGNORADO EM SI MESMO (perdido no tempo - fora do espaço) - Marcos Carvalho
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IGNORADO EM SI MESMO
(perdido no tempo - fora do espaço)
Em tempos contemporâneos...
De evolucionismo emergente,
É fim último de humano ser:
Adaptar-se à modernidade.
É um fato, de fato, indiscutível.
Alguns acham, erroneamente...
Que é necessário, sem temor,
Largar, para trás o passado...
Ir em frente... seguir o novo,
Quando há algo em mente.
Corre-se, porém, grande risco...
De perder-se atabalhoado,
Perdendo a noção do agora...
Que pode ser bem vivido...
Com toda a sua intensidade.
Ele que é referência temporal,
Elo entre passado e futuro.
Neste enterro de um passado...
Matando velhas lembranças...
Sepultamos, também, junto...
O que trazemos na esperança.
É preciso, ao certo, entender:
Tudo que é poderá vir a ser.
Não perderá sua sequência.
Não ter uma noção do viver...
É Não entender de evolução...
Como atitude do real fazer.
Viver o presente sem passado...
É viver sem base, à margem,
Solto a flutuar em devaneio.
E ser incapaz de entender...
O que é sua vida presente,
Perdendo, dela, a referência...
Para construir o amanhã.
Passado é causa, origem.
A consequência é o futuro...
De ação feita pertinente.
Ignorar o passado no agora...
É ignorar, no momento do ato...
O instante do acontecido...
Como importante substrato...
Em prol do vir a ser.
É pura falácia, ledo engano,
Sem referência sustentável.
Desconhecer vera validade...
Daquilo que foi real passado,
Não valorizar o que já feito...
É pura hipocrisia concebida,
Mais uma veleidade sem par...
Em continuismo existente.
É querer ignorar memória...
Que se tornou vida fecunda.
É tentar banir da lembrança...
O que é suporte do viver.
É querer matar a saudade...
Matando, do ser humano...
Sua real e contínua natureza...
De continuada permanência.
Agir assim, é condenar-se...
A um viver na melancolia...
Com pensamento obtuso;
Pensar parco de ignorante;
Sentir mórbido e insolente;
Atitude de alguém arrogante;
Conduta tola, estapafúrdia;
De gesto vazio e intolerante;
De ser mesquinho debiloide.
Um confuso ser humano.
Melhor não tivesse existido.
Marcos Carvalho