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DIREITO
Não tenho o direito
De deixá-la assim.
Mesmo incontida,
Um pouco perdida,
Vem nascendo... Devagar... Assim.
Cuidado, musa-flor,
Você não pode mais tropeçar.
Não tenho a juventude das ondas do mar.
Nem mais a transformação do vento.
Sei, no entanto, que neste momento,
Um rio de águas quentes
Corre para a longa cachoeira.
Pára! Antes da queda d’água!
É bem outro o meu caminhar.
Não sou, musa! Para seu universo.
Somente sou semente...
Sou canção, mas não sou esperança!
Aqueço sua boca e olhos, no meu verso.
E, para você ser feliz...
Vá apagando, despreocupadamente,
Cada abraço,
Cada beijo,
Cada toque possessivo.
Esqueça a lágrima-saliva
De cada beijo consentido.
Você para sempre viva.
E, tão somente,
Em mim permanecerá,
Verde-vermelho, em chama,
Alvo de tanta ternura.
Não sei mesmo
Para onde correm as águas deste rio...
Nem onde vai parar este caminho.
Tenha dó de mim...
Tenha dó de mim...
Heleno Célio Soares
